Desenvolvedores de Android e iOS faturam o dobro dos demais, informa pesquisa

Para ter sucesso no mundo do desenvolvimento móvel é preciso falar mais de uma língua, ou melhor, mais de uma plataforma. De acordo com levantamento anual realizado pela Vision Mobile com 3,4 mil desenvolvedores móveis do mundo todo, 76% deles trabalham com dois ou mais sistemas operacionais. A média é de 2,6 plataformas por desenvolvedor. A liderança está com Android e iOS: 80% dos entrevistados trabalham com uma delas ou com as duas. A explicação está no retorno sobre o investimento: de acordo com a Vision Mobile, aqueles desenvolvedores que não trabalham com Android e nem com iOS registram, em média, metade da receita dos demais. O Blackberry aparece em terceiro lugar dentre as preferências dos desenvolvedores, enquanto Windows Phone e HTML5 são vistas como plataformas de “extensão”, para agradar a nichos específicos de mercado. Todas as demais são citadas como “tapa-buracos”: Symbian, QT, Flash Lite e Java ME.

Para os desenvolvedores que trabalham simultaneamente com Android e iOS, a pesquisa perguntou qual plataforma entendem ser a líder em diversos critérios. O Android venceu em custo de desenvolvimento (citado por 32% dos entrevistados) e curva de aprendizado (26%); enquanto o iOS venceu em ecossistema de desenvolvimento (33%), documentação e suporte técnico (34%), app discovery (50%) e potencial de receita (66%).

Modelo de negócios

O modelo de negócios mais popular para aplicativos móveis ainda é a publicidade, utilizada por 38% dos desenvolvedores entrevistados. Isso representa um crescimento de 6 pontos percentuais frente à mesma pesquisa do ano passado. Esse é o modelo mais utilizado por aqueles desenvolvedores que apontaram o Android e o Windows Phone como sendo suas plataformas preferidas. Todavia, a publicidade é o modelo menos lucrativo de todos, gerando em média uma receita mensal de US$ 1,014 mil por app.

O modelo mais lucrativo é o de assinatura de conteúdo, muito praticado por empresas de mídia: US$ 2,649 mil por mês em média por app. Porém, é o menos utilizado, sendo citado por apenas 12% dos entrevistados. É um modelo mais comum entre desenvolvedores de HTML5.

A pesquisa registrou um crescimento do uso de vendas in-app, prática adotada atualmente por 26% dos desenvolvedores contra 19% no ano passado. A receita média mensal por app é a segunda maior: US$ 1,835 mil. Essa prática é mais comum entre desenvolvedores de iOS (37%).

O modelo conhecido como “freemum” também registrou alta, com percentual de adoção subindo de 18% para 25%. Sua receita média mensal por app é de US$ 1,365 mil. Essa opção é comum entre desenvolvedores de Blackberry (31%) e Android (27%).

O único modelo a diminuir sua adoção em 12 meses foi o de venda por download, caindo de 34% para 32%, com receita média mensal por app de US$ 1,283 mil. O sistema em que os desenvolvedores mais a utilizam é o Blackberry (53%).

Adnetworks

Entre aqueles desenvolvedores que adotam publicidade como modelo de negócios, 65% afirmou usar preferencialmente a Admob como sua adnetwork. Em seguida aparecem Inneractive (12%), InMobi (12%) e Apple iAd (11%). As principais razões apontadas para a escolha da adnetwork foram: disponibilidade em múltiplas plataformas (23%), facilidade de integração (21%) e confiança no sistema de pagamento (12%).

B2D

Com o boom de desenvolvedores móveis está surgindo também um mercado de serviços voltados para eles. Criou-se até uma sigla: B2D (Businness to Developer). São basicamente ferramentas de teste e de exportação de programação, além de análise de resultados. A Vision Mobile calcula que para cada 1 mil start-ups de desenvolvimento surge uma de B2D. Atualmente há mais de 500 ferramentas diferentes para desenvolvedores móveis.

O relatório completo da Vision Mobile pode ser encontrado no site da empresa. A pesquisa foi patrocinada por diversas empresas do setor de telecom, dentre as quais AT&T, Nokia e Mozilla.

Texto de Fernanda Paiva, para a MOBILE TIME.